sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um bilro de querubim

Ao contrário do que fazia crer sua corpulência, tinha um bilro de querubim que parecia um botão de rosa, mas isto devia ser um defeito afortunado, porque as pássaras mais experientes se disputavam a sorte de dormir com ele, e seus alaridos de esfaqueadas abalavam as fundações do palácio e faziam tremer de espanto seus fantasmas. Diziam que usava uma pomada de veneno da víbora que excitava a sela turca das mulheres, mas ele jurava não dispor de recursos diferentes daqueles que Deus lhe havia dado.

Amor nos tempos do cólera, pg 84
Gabriel García Márquez

Nenhum comentário: