quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Amor platônico

"Desde o momento que eu te conheci, todos esses anos,
nenhum dia se passou sem que eu pensasse em você.
E agora que eu estou com você novamente, eu agonizo.
Quando mais perto fico de você, pior eu fico.
A idéia de não ter você ao meu lado faz eu me sentir mal - minha boca fica seca.
Me sinto tonto. Não respiro. Estou almadicoado pelo beijo que nunca deveria ter me dado.
Meu coração bate, esperando que aquele beijo não se torne uma cicatriz.
Você está na minha alma, me atormentando.
O que eu faço? Eu faço qualquer coisa que você pedir...
Se você está sofrendo assim como eu, me fale!!"

Star Wars: Episode II,
Anakin Skywalker

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amor nas palavras

[...] quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética [...]

Rubem Alves

http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htm

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Falsidade hipócrita

"Senhor,

Eu sei que você me colocou em prova todos esses anos, testando minha dignidade com toda essa diplomacia hipócrita que você impôs na sociedade. Toda essa falsidade que as pessoas vivem, sem ter a liberdade de poder ser sincero com todos, mesmo que seja ofensivo... afinal de contas isso é uma sociedade e você tem que colocar limites nas atitudes deles, certo? Não.
Mesmo assim, estou aqui, para te provar que é possível, sim, viver sem toda essa norma hipócrita que você criou. Não foi fácil, admito. Todas essas vezes que tive que abdicar de minha felicidade para combater tudo isso. Sim, doeu. Mas eu usei da dor para me erguer e tentar... tudo de novo. Espero mesmo que tenha deixado para os meus filhos algum ensinamento sobre o que eu aprendi na vida.
Sou consciente de que os meus 40 anos como pai não foram suficientes para aprender a como ensinar para os meus filhos. Esse tempo é muito curto. Nem sempre eu fui paciente e soube dizer as coisas certas, mas eu me esforcei. Espero que toda a minha moralidade contra esse perfil machista e patriarcal tenho dado um ambiente mais harmônico para eles.
Demorei para acertar no amor. Mas eu não me detive, como todos os outros, em relacionamentos falsos, tendo que procurar fora o que eu não teria em casa. Procurei nela aquilo que podia me tornar alguém melhor, mas calmo e amoroso, sempre. Eu te disse que ia conseguir. E mesmo depois de todo esse tempo, meu coração ainda sente saudade a cada despedida e felicidade a cada regresso.
Enfim, espero que você reflita um pouco sobre essa merda toda e alivie um pouco a vida deles. Devolva a eles o bom senso que tinham. Esquece aquela época do paraíso. Eles não eram maduros o suficiente para compreender tudo. Perdoe. Parece que eles não merecem, mas, quando você perdoa, ama. E quando ama, a luz nos ilumina. Durante um momento eles vão redescobrir o propósito da sua vida.

Você sabe onde me encontrar. Estarei esperando."

O Manual do Coveiro

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amor Zen

Otsu irritou-se com as observações do monge, a seu ver impiedosas. Como compreenderia seus sentimentos alguém que nunca amou? Tinha certeza de que se Takuan tentasse explicar os princípios do zen a um débil mental se frustaria do mesmo modo. Se o zen-budismo encerrava a verdade da vida, no amor também existia vida, uma vida ardente. Pelo menos, achava Otsu, do ponto de vista de uma mulher, seus problemas eram cruciais, tinham importância muito maior que as divagações filosóficas de monges zen-catequistas em torno de proposições enigmáticas do tipo: “Qual o som de uma única mão batendo palmas?”

Musashi (pg. 355)
Eiji Yoshikawa