quinta-feira, 26 de março de 2009

Somente o seu cheiro

Ele, por sua vez, nem a olhou. Não viu o seu rosto com sardas do verão, a sua boca rubra, os grandes olhos completamente verdes. [...]
[...] ele a deitou no chão, em meio aos caroços de nectarina e rasgou o seu vestido, e o fluxo de aroma tornou-se uma enchente, inundando-o com o seu cheiro agradável. Ele mergulhou o rosto na sua pele e, com as narinas bem infladas, percorreu o ventre até o peito, até o pescoço, percorreu o seu rosto e os cabelos, voltando até o ventre, descendo até o seu sexo, até suas coxas, até suas pernas brancas. Ele a farejou da cabeça até os dedos dos pés, coletou os últimos restos de sua fragrância no queixo, no umbigo e nas dobras dos cotovelos.

Perfume (pg. 43),
Patrick Suskind

domingo, 15 de março de 2009

Meu querido

Você se lembra
Quando nos conhecemos
Naquele dia eu soube que você era meu querido.
Eu quero te dizer
O quanto te amo.

Sea Of Love,
Cat Power

terça-feira, 3 de março de 2009

Futuro das mulheres

Era realmente uma paisagem interessante. De certo modo, também era meio deprimento, porque a gente pensava no que ia acontecer com todas elas. Quer dizer, depois que terminassem o ginásio e a faculdade. A maioria ia provavelmente casar com uns bobalhões. Esses sujeitos que vivem dizendo quantos quilômetros fazem com um litro de gasolina.Sujeitos que ficam doentes de raiva, igualzinho a umas crianças, se perdem no golfe ou até mesmo num jogo besta como pingue-pongue. Sujeitos que são um bocado perversos. Sujeitos que nunca na vida abriram um livro. Sujeitos chatos pra burro. Mas é preciso ter cuidado com isso, com essa mania de chamar certos caras de chatos. Não entendo bem os chatos. Juro que não.

O Apanhador no Campo de Centeio (pg. 122),
J.D. Salinger