quinta-feira, 26 de março de 2009

Somente o seu cheiro

Ele, por sua vez, nem a olhou. Não viu o seu rosto com sardas do verão, a sua boca rubra, os grandes olhos completamente verdes. [...]
[...] ele a deitou no chão, em meio aos caroços de nectarina e rasgou o seu vestido, e o fluxo de aroma tornou-se uma enchente, inundando-o com o seu cheiro agradável. Ele mergulhou o rosto na sua pele e, com as narinas bem infladas, percorreu o ventre até o peito, até o pescoço, percorreu o seu rosto e os cabelos, voltando até o ventre, descendo até o seu sexo, até suas coxas, até suas pernas brancas. Ele a farejou da cabeça até os dedos dos pés, coletou os últimos restos de sua fragrância no queixo, no umbigo e nas dobras dos cotovelos.

Perfume (pg. 43),
Patrick Suskind

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