sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Às Queridas

Já faz um ano que estou aqui na Índia e ainda penso muito em vocês. Não pelo fato de que morro de amores, não. Não acho que isso venha a acontecer nenhum dia. Mas sim pelo desperdício que fiz de toda a dedicação de vocês. Mas ambas dedicaram alguns anos de suas vidas para me aturarem fielmente e eu não soube aproveitar esse sentimento que vocês estavam tentando me oferecer.
Bom... a pergunta é: porque eu escreve? E porque à vocês? Não sei. O fato é que se minha morte se aproxima, alguém tem saber dos meus devaneios e vocês mais do que ninguém merecem saber do quanto me lastimo. Por tudo que já fiz e continuo fazendo. Pelas pessoas que mais se importam comigo. Se eu sei disso, porque não paro? Eu também julguei as pessoas pelos seus vícios, mas sei que não é fácil parar. Minha moralidade hipócrita ainda é mais forte que meu arrependimento.
Enfim, rezo para o Deus que for atender às minhas preces que a todos que por algum momento eu possa ter prejudicado, tenha o amor que eu não soube aproveitar; amigos que eu não soube querer bem; a família que eu menosprezei; e a vida que eu desperdicei.

Sultões de Cabul,
Amir Aghib

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